Uma das primeiras lições que aprendi no empreendedorismo é que se três pessoas te dão o mesmo conselho, talvez seja melhor segui-lo. Pois bem, no início deste ano o Yuri Gitahy da Aceleradora deu o primeiro aviso, este final de semana pipocou o segundo aviso no meu feed, agora vindo do Business Insider. Certo, mas e o terceiro? O terceiro eu dou: a bolha começou a inflar.
Que bolha?
A bolha da internet (ou bolha .com) foi uma forte especulação e tendências de alta nas bolsas de valores no final da década de 1990, em relação às novas empresas baseadas na internet. Cobriu aproximadamente o período de 1995-2000 (com o estouro em 10 de março de 2000), durante o qual mercados bolsistas de países industrializados viram a ascensão rápida do valor patrimonial e o crescimento nos setores de internet mais recentes e áreas afins.
Todos estão otimistas
“Todo mundo está loucamente otimista!” Quem disse isso foi a Associação Americana de Investidores Independentes (AAII) numa de suas últimas pesquisas:

IPO
As ofertas públicas inicias, ou IPOs, para empresas de tecnologia estão saindo do controle. Demand Media, Facebook, LinkedIn, Dang-Dang, todos querem ser a próxima grande coisa da internet. O Dang-Dang, por exemplo, apesar de ser chinês, está recebendo altas quantias de dinheiro de investidores americanos. Isso significa que os ventures estão se expandindo para além de seus quintais.
Falando em ventures capital, nunca foi tão fácil levantar dinheiro para startup de tecnologia como está sendo agora. Sabe o que isso significa?
A volatilidade acabou
Financeiramente falando, volatilidade é o grau médio de variação das cotações de um determinado ativo em determinado período. É uma variável que mostra a intensidade e a freqüência das oscilações nas cotações de um ativo financeiro, o qual pode ser uma ação, título ou fundo de investimento.
Basicamente, a volatilidade é indicada pelo número VIX. VIX é o símbolo para Chicago Board Options Exchange Volatility. Muitas vezes é referida como índice do medo ou indicador de medo, representa uma medida da expectativa do mercado. E está cada vez menor. Fechou na sexta-feira passada em 15.46, baixa de 5,67% em relação a 14 de dezembro de 2010. O medo acabou.
Notícias ruins estão sendo ignoradas
Li no Twitter dias atrás uma pérola mais ou menos assim: “recessão é quando o vizinho perde o emprego, depressão é quando eu perco o emprego.” Nada melhor do que essa frase para ilustrar esse tópico. Apesar das empresas .com estarem indo muito bem (até quando?), os dois últimos grandes relatórios de desemprego nos EUA foram uma porcaria. E ninguém se importou. Foram criados apenas 103 mil novos postos em dezembro, muito abaixo da estimativa do governo de 300 mil.
Pior que isso é que empresas específicas estão ignorando as más notícias. Vide o Bank of America que acaba de ser impedido pela justiça de executar hipotecas e está a um passo de uma profunda crise. Ninguém se importa.
Os analistas estão muito otimistas
Dos 54 analistas que cobrem a Apple, apenas um tem uma postura negativa.

Empresas-fantasma estão de volta
Até empresas de cookies de 3 dólares estão participando de ofertas públicas de investimento.Não acredita?
Avaliações erradas
Ações da Netflix e OpenTable estão fixadas em valores quase perfeitos. Aqui.
240% por um tweet
Foi só o rapper 50 Cent levantar a bola no Twitter para a empresa H & H Imports – distribuidora de headphones – para suas ações subirem 240%!!

50 Cent. Um tweet. Mais de 50 milhões. 2012. Pegou? Não?
E o crowdsourcing com isso?
Uma crise ou uma nova bolha não significa o fim do mundo. Mas pode significar o fim de uma empresa, caso ela não esteja preparada. Apesar de parecer a vilã da história, na verdade, a internet pode ser a salvadora. A internet criou uma nova forma de fazer as coisas e esta nova forma está começando a reger uma nova economia. Uma economia colaborativa.
Por colaborativa entende-se uma economia que coloque seus profissionais em rede. Trabalhando juntos em prol de uma causa maior ou de soluções para os novos problemas que a bolha pode trazer.
O crowdsourcing consegue empregar diversificadas frentes de trabalho, desde designers até cientistas. Mas para isso funcionar, as empresas precisam perceber que a colaboração em massa pode, realmente, mudar o seu negócio.
A Procter & Gamble, por exemplo, emprega indiretamente cerca de 7 mil cientistas com suascall for techs permanentes. A Boeing, BMW e GE fazem o mesmo, guardada as respectivas proporções. Ou seja, grandes empresas estão mudando a economia, tornando-a mais imune a crises e bolhas graças ao crowdsourcing.
Basta agora que esse tipo de inovação chegue fortemente ao Brasil, para que a bolha estoure bem longe daqui.
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